A Justiça de São Paulo determinou que as quatro mães das meninas menores de idade que praticavam roubos no bairro da Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, sejam soltas.
Elas haviam sido presas nesta quinta-feira por abandono de incapaz, por decisão do delegado Márcio de Castro Nilson. O pedido de soltura havia sido requerido pela Defensoria Pública de São Paulo. A juíza Maria Fernanda Belli, que assina a decisão, determinou, no entanto, duas medidas cautelares para as mulheres: elas não podem se ausentar de São Paulo e precisam comparecer, em até 7 dias, ao Conselho Tutelar de Cidade Tiradentes, bairro da Zona Leste de São Paulo em que moram as mulheres.
As sete meninas, com idade entre 11 e 14 anos, vinham cometendo uma série de furtos e roubos na região da Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. Elas entravam em lojas, roubavam pedestres e motoristas. As menores chegaram a ser detidas pela Polícia Militar (PM), levadas para a delegacia e encaminhadas para o Conselho Tutelar.
As garotas diziam ser todas menores de 12 anos e davam informações falsas sobre o endereço dos pais. Eram levadas para abrigos, mas, como diziam ter menos de 12 anos, não eram obrigadas a cumprir nenhuma medida com restrição de liberdade deixavam o local sem dificuldades.
Na última quinta-feira, elas foram detidas depois de tentar roubar o celular de uma mulher. Dessa vez, porém, o Conselho Tutelar conseguiu chegar até as mães por meio de uma denúncia anônima.
Ao escutar as mulheres, o delegado decretou a prisão das mesmas.
– Elas contaram as histórias semelhantes de que não conseguiam controlar o que as meninas faziam, de que as garotas saíam e ficavam quatro, cinco dias na rua. Ora, sua filha fica cinco dias na rua e você não formaliza um boletim de ocorrência, não procura o Conselho Tutelar. Isso é abandono – afirmou o delegado.
Em uma conversa captada pela TV Globo, uma das mães diz para a filha:
– Volta ao mesmo local do crime. Mas é besta mesmo -afirmou a mulher.
As mães têm entre 26 e 33 anos, moram em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, e têm entre três e sete filhos.
As meninas estão abrigadas na Fundação Casa, responsável pelo atendimento de crianças e adolescente em situação de risco em São Paulo.
– Elas não poderão deixar o local porque estão desassistidas, já que as mães estão presas. No entanto, vamos investigar também a participação delas nos delitos. Até o momento, nenhuma testemunha formalizou a acusação contras as meninas.
O delegado afirmou que irá abrir inquérito para investigar uma das mulheres por corrupção de menores. De acordo com Nilson, em depoimento, uma das mães teria acusado outra de “incentivar” os delitos cometidos pelas meninas.
– Vamos apurar se ela incentivava e se obtia benefício disso. Se sim, podemos caracterizar corrupção de menores – disse o delegado.
O alvará de soltura foi encaminhado às 19h40 da última sexta-feira para a Polícia Civil.
Fonte: O Globo

